Até que ponto os pais influenciam os filhos?

Desde os primeiros estudos de Sigmund Freud, e até antes deles, os pais são tidos como os agentes mais importantes na criação de uma pessoa.

São os primeiros a conter o que há de animal em nós, nos ensinando a controlar desejos em nome de regras morais, castigos e convenções da civilização.

Do conflito entre os desejos e culpas saem nossos traços de personalidade, como a timidez e a vergonha.

Do ponto de vista da genética, um bebê recém-nascido é como um molde de argila flexível.

O que ele aprender, ver, ouvir, sentir será armazenado no cérebro e irá compor a maneira como agirá no futuro.

Ao nascer, vai demorar meses até conceber idéias básicas, como a de ser distinto das coisas ao redor.

Aos poucos, porém, vai se dar conta de que consegue mover algumas dessas coisas e que outros seres fazem o mesmo.

Assim, a partir do outro, o bebê começa a ter a noção de que é um indivíduo.

Conforme interage com os adultos, a criança se molda ao mundo em que nasceu e aprende o que pode ou não fazer.

Percebe que, ao chorar mais alto, a mamadeira vem mais depressa.

Portanto, vale a pena ser manhosa, pelo menos de vez em quando.

Quando joga um objeto no chão, é repreendida pela mãe e ganha uma bela bronca.

Também começa a diferenciar sentimentos: o que achava ser dor começa a receber nomes diferentes como fome, ciúme ou medo.

As sinapses cerebrais são construídas a partir das relações externas. Sem interação com o outro, não há personalidade.

Dentre todas essas interações, a mais importante nos primeiros anos é a relação com os pais.

Através deles, exercitamos uma das nossas grandes capacidades inatas: a de imitar.

Os pais servem de referência para estabelecermos padrões de sentimentos e atitudes.

O filho que imita o pai se barbeando também conhece com ele jeitos de se relacionar com as mulheres, modos de regular o tom de voz e até preferências intelectuais.

Prova disso é um estudo realizado com 20 mil crianças.

O experimento tentou relacionar o desempenho escolar das crianças com o perfil dos pais e a convivência de todos em casa.

Descobriu que as boas notas não estão relacionadas àquilo que os pais fazem – se mandam os filhos ler ou lêem para eles antes de dormir, e sim ao que eles são – se têm o hábito de ler para si próprios, se têm livros em casa e se são bem instruídos.

Nos primeiros anos, o filho se identifica com quem faz o papel de pais e passa muito tempo copiando suas ações.

Talvez se explique assim o caso do filho que passa a infância apanhando e, quando adulto, vira um pai igualmente agressivo.

A mesma teoria serviria também para explicar o contrário: o filho que, em alguns pontos, se torna o contrário dos pais.

É que eles podem servir de referência de traços aos quais reagimos.

Assim os psicólogos explicam a família do casal que passa as noites brigando e tem um filho do jeito oposto, tranquilo e pacificador.

O problema é que embora a influência dos pais atuem no comportamento da criança, não se pode montar leis gerais da natureza.

Cada caso é um caso, que nem sempre é comprovado por estatísticas.

 


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