As escolas deveriam ensinar os alunos a falhar

Você sabe como funciona a escola: tire notas boas e todos os professores vão gostar de você, te elogiar e exclamar o tempo todo que você tem um futuro brilhante.

Agora, tire notas ruins ou ande um pouco fora da linha.

Automaticamente, você vira o baderneiro da turma, o desatento que nunca será ninguém na vida.

Será mesmo?

Tony Little, especialista em educação e ex-diretor de uma das escolas particulares mais famosas do Reino Unido, pensa justamente o contrário.

Segundo ele, alunos precisam passar por experiências de falha na escola, para que aprendam a se reerguer em situações mais delicadas na vida adulta

“Não é só ter a experiência de falhar, mas de poder fazê-lo em um ambiente seguro, para que a experiência possa ensinar algo”, disse o ex-diretor no Fórum Global de Educação e Habilidades, em Dubai, considerado o Nobel dos professores.

Ou seja, ser sempre popular, só tirar notas boas e nunca sofrer na escola não ajuda ninguém a crescer de verdade.

Sem ter de lidar com derrotas, eles não desenvolvem a habilidade para enfrentar dificuldades.

A declaração de Little, na verdade, já foi cientificamente comprovada.

Em 2014, um estudo americano concluiu que determinação e força de vontade, em momentos de dificuldade, ajudam a encarar desafios.

Outro experimento, dessa vez de pesquisadores de Singapura, dividiu 75 adolescentes: o primeiro grupo teve aulas normais, com a fala de um professor e terminava com exercícios; já o segundo precisou resolver, em grupos pequenos e sem muita ajuda do professor, problemas bem mais complexos.

O segundo grupo, depois de muitos erros, recebia orientação de um professor e, surpresa: tiveram resultados muito melhores do que a outra turma.

O estudo concluiu que, ao falhar, os alunos ativam uma parte do cérebro que possibilita um aprendizado mais profundo.

É que eles precisam organizar e analisar mentalmente três coisas: o que já sabem, as limitações daquele conhecimento e, principalmente, o que não sabem.

Ou seja: errar, além de ser humano, é muito mais eficaz no processo de aprendizagem.

 


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